Terremoto de 2011 no Japão afetou a ionosfera, diz Nasa
Estadão – Da Reuters
Segundo agência espacial, onda de energia do fenômeno sísmico alcançou a camada mais alta e fina da atmosfera, que está localizada entre 80 e 805 km acima da superfície
O violento terremoto seguido por tsunami que atingiu o norte do Japão em março de 2011 afetou também os céus, perturbando os elétrons no topo da atmosfera, segundo a Nasa.
A onda de energia do fenômeno sísmico alcançou a ionosfera, camada mais alta e fina da atmosfera, entre 80 e 805 quilômetros acima da superfície terrestre.
É nessa camada que a radiação ultravioleta solar decompõe as moléculas e cria uma névoa de elétrons e íons.
Em imagens divulgadas pela Nasa, é possível ver como as perturbações terrenas do terremoto e do tsunami ecoaram no movimento de elétrons muito distantes. Esse movimento foi monitorado por meio dos sinais de GPS trocados entre satélites e receptores em terra.
Cientistas já haviam visto esse fenômeno antes, em tsunamis ocorridos em Samoa (2009) e Chile (2010). O episódio japonês, no entanto, ocorreu em uma região mais monitorada por uma densa rede de receptores de GPS, segundo nota da Nasa.
O mesmo tsunami causou um grave acidente nuclear na usina de Fukushima.
Imagens estáticas da perturbação na ionosfera estão disponíveis no site http://photojournal.jpl.nasa.gov/catalog/PIA14430
Há um vídeo em http://www.nasa.gov/multimedia/videogallery/index.html?media_id= 144582391
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Nasa/Reprodução
Movimento foi monitorado por meio dos sinais de GPS trocados entre satélites e receptores em terra
Adolescente cria técnica para detecção de câncer e leva prêmio
LUIS CORVINI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Um adolescente americano de apenas 15 anos venceu um concurso mundial de ciências pela invenção de um método de detecção de câncer no pâncreas mais eficiente que os tradicionais.
Jack Andrada, estudante da cidade de Crownsville, Maryland, criou um sensor que identifica se uma pessoa tem câncer pancreático, mesmo nos estágios iniciais, com até 90% de precisão, por meio de um exame de sangue ou urina.
A técnica, patenteada pelo jovem cientista, é 28 vezes mais rápida e cem vezes mais sensível que os testes atuais.
Pela invenção, ele recebeu US$ 75 mil (cerca de R$ 148 mil) e recebeu o prêmio mundial de Inovação Jovem Cientista da Fundação Intel, empresa que patrocina o evento.
Os outros dois finalistas foram Nicholas Schiefer, de 17 anos, de Pickering, Ontário, Canadá e Ari Dyckovsky, 18, de Leesburg, Virgínia, EUA Cada um recebeu um prêmio no valor de US$ 50 mil (cerca de R$ 99 mil).
| Divulgação/ISEF 2012 |

Jack Andraka (ao centro) comemora o prêmio ao lado dos outros finalistas
Cientistas usam DNA para desenhar ‘Smileys’ microscópicos
G1 - Da AFP
Desenhos estão na escala de bilionésimos de um metro. Feito marca avança em técnica conhecida como ‘origami de DNA’.
Cientistas publicaram na edição desta quinta-feira (31) da revista “Nature” desenhos microscópicos de Smileys, caracteres chineses e naipes de baralho. O estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, usou filamentos de DNA para desenhar em escalas de bilionésimos de um metro.
O feito marca um avanço rumo ao “origami de DNA”, em que a molécula que fornece o código genético da vida é usado como bloco de construção em nanoescala, com possíveis aplicações na engenharia e na medicina.

Desenhos foram feitos em escala de bilionésimos de metro (Foto: Bryan Wei/Mingjie Dai/Peng Yin/Harvard University/AFP)
O DNA é como uma escada em caracol com “degraus” duplos de substâncias químicas que se entrelaçam. Ao “abrir” a escada e cortá-la no comprimento, os cientistas conseguem criar um filamento com um conjunto de degraus simples que podem se associar com um outro similar.
Foi esta a característica usada por uma equipe de cientistas chefiada por Peng Yin, do Instituto Wyss para Engenharia Biologicamente Inspirada, da Universidade de Harvard.
A equipe apresentou pequenos fragmentos de DNA, cada um com 42 “degraus”, que se interligaram com filamentos complementares da molécula. Os filamentos podem ser programados para ser montados em formas específicas, como peças de Lego.
Para demonstrar o método, a equipe fez um quadro molecular com 107 desenhos de Smileys, caracteres chineses, números e letras do alfabeto latino.
A tela foi um retângulo medindo 64 x 103 nanômetros, com 310 pixels. Um nanômetro mede um bilionésimo de metro.
Por mais de 20 anos, os cientistas têm se interessado em formas em nanoescala e mudado progressivamente de formas dimensionais para tridimensionais.
A ideia não serve apenas como distração intelectual. O DNA pode ser usado como uma moldura em escala molecular, com aplicações potenciais na alta tecnologia e na medicina.
Por exemplo, o trabalho em laboratório inclui construir uma “placa” de DNA para transistores de nanotubos de carbono e projetar uma estrutura em forma de concha concebida para se abrir e aplicar uma minúscula carga de medicamento para matar uma célula cancerosa.
A nova pesquisa auxilia no processo ao acelerar a técnica de montagem — bidimensional por enquanto — e reduzir os custos. Um conjunto de 1.706 blocos, ao custo de cerca de US$7 mil (cerca de R$ 14,2 mil), pode criar uma quantidade “astronômica” de formas, destacou um comentário também publicado na “Nature”.
Cada forma no quadro de Harvard levou cerca de uma hora para ser feita, usando um robô para selecionar e misturar os filamentos. No final dos anos 1980, eram necessários quase dois anos para desenhar e construir um cubo de sete nanômetros, usando um filamento longo de DNA que precisava ser torcido para originar a forma desejada.
Halo da Via Láctea tem 11,4 bilhões de anos, determinam astrônomos
Do G1, em São Paulo
Cientista calculou primeiro a idade de estrelas próximas ao halo. ’Margem de erro’ é de 700 milhões de anos para mais ou para menos.
O halo interior da Via Láctea teria mais de 11 bilhões de anos, segundo cientistas do Centro de Astrofísica da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. O cálculo foi feito usando um novo método de precisão, criado na universidade, que atribui a idade de populações de estrelas vizinhas. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (30) na revista científica “Nature”.
A nossa galáxia (Via Láctea), uma massa de milhões de estrelas, também tem vários componentes, como o disco e o halo.
No entanto, a dificuldade de calcular as idades das populações estelares, ao longo dos tempos, faz com que haja poucos dados sobre a sua formação.
Jason Kalirai, autor do estudo, desenvolveu a técnica para estimar a idade de estrelas anãs-brancas recém-formadas, usando o aglomerado globular de estrelas Messier 4, de mais de 12 bilhões de anos, como base.
Ele aplicou a técnica em uma amostra de quatro estrelas anãs brancas localizadas próximas ao halo da Via Láctea e chegou à conta de 11,4 bilhões de anos, com uma “margem de erro” de 700 milhões de anos para mais ou para menos. Na mesma observação, ele descobriu quase 2 mil estrelas anãs brancas próximas ao aglomerado.

Halo interior é a parte mais próxima ao centro da Via Láctea (Foto: 2mass/J. Carpenter T.H. Jarrett & R. Hurt)
Idade pode ser detectada pelo cheiro, diz estudo
Do G1, em São Paulo
Cheiro dos idosos é menos intenso do que o de pessoas mais jovens. Diferença foi percebida por participantes de uma pesquisa.
Cientistas revelaram nesta quarta-feira (30) mais uma marca que o ser humano acumula com a idade. É fácil diferenciar um jovem de um idoso pelo rosto, por exemplo, pelas rugas e outros sinais de idade que ficam evidentes. Agora, uma nova pesquisa mostrou que também é possível identificar pessoas de idades diferentes pelo cheiro.
O estudo publicado pela revista científica “PLoS One” evidenciou as mudanças no odor corporal que ocorrem ao longo da vida.
A pesquisa foi feita com pessoas de três faixas etárias diferentes: jovens adultos (de 20 a 30 anos), pessoas de meia idade (de 45 a 55 anos) e idosos (de 75 a 95 anos).
Cada participante dormiu cinco dias com uma mesma camiseta com almofadas sob as axilas, para que o cheiro de cada um fosse bem absorvido. Depois, os odores foram colocados em frascos de vidro, e outros participantes – jovens – tiveram que determinar qual frasco continha o cheiro das pessoas mais velhas. A comparação foi repetida nove vezes para cada um dos 41 avaliadores.
A experiência mostrou que o ser humano consegue determinar aproximadamente a idade de outro pelo cheiro. Além disso, os avaliadores tiveram que descrever os cheiros, e a pesquisa concluiu que o odor dos idosos é menos intenso e menos desagradável que o dos mais jovens. A concentração de substâncias químicas presentes no suor é o que varia ao longo da vida.
Johan Lundström, pesquisador do Centro Monell, em Filadélfia, nos Estados Unidos, e autor da pesquisa publicada pela revista “PLoS One”, ressalta que o olfato também é uma forma de comunicação entre as pessoas.
“Assim como outros animais, humanos conseguem extrair sinais de odores corporais, que nos permitem identificar a idade biológica, evitar indivíduos doentes, escolher o parceiro ideal e distinguir entre parentes e não parentes”, afirmou Lundström.
Para os teóricos do comportamento animal, identificar a idade pelo odor é útil na hora de escolher um parceiro sexual. Os machos mais velhos são interessantes para as fêmeas, pois têm capacidade de viver por mais tempo, e essa característica é desejável para os filhotes. Por outro lado, os machos preferem fêmeas mais jovem, no auge da capacidade reprodutiva.
Cientistas descobrem gene causador de síndrome rara que inibe o crescimento

Estudo publicado na Nature Genetics, com participação brasileira, mostra que gene ligado a síndrome de excesso de crescimento é também responsável pelo problema que envolve restrição de crescimento (reprodução)
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Um estudo realizado por um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, identificou o gene causador da síndrome IMAGe, sigla em inglês para restrição de crescimento intrauterino, displasia metafisária, hipoplasia adrenal congênita e anomalias genitais.
Os portadores da síndrome IMAGe, cuja causa era até agora desconhecida, apresentam em geral baixo peso ao nascer, desenvolvimento deficiente das glândulas adrenais, alterações esqueléticas e genitais. O estudo teve seus resultados publicados na revista Nature Genetics.
Segundo os autores, a pesquisa revelou um mecanismo molecular até agora desconhecido. Embora se trate de uma síndrome genética extremamente rara, a descoberta poderá ser útil para a compreensão de doenças mais prevalentes.
De acordo com um dos autores do estudo, Bruno Ferraz-de-Souza, pesquisador na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), mutações no gene CDKN1C já haviam sido descritas como causa de uma outra síndrome bem mais frequente, caracterizada pelo hipercrescimento. No novo estudo, os cientistas descobriram que o gene também é responsável pela síndrome IMAGe, que envolve a restrição de crescimento.
“Há muitos anos se buscava a causa da síndrome IMAGe. Neste trabalho, utilizando sequenciamento paralelo – analisando amostras de DNA de uma família argentina com muitos membros afetados e amostras de outros pacientes coletadas ao longo dos últimos 20 anos –, descobrimos que a síndrome é causada por uma mutação específica no gene CDKN1C, no cromossomo 11”, disse Ferraz-de-Souza à Agência FAPESP.
Participaram do estudo cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Estados Unidos), do University College London (Reino Unido) e do Hospital de Niños Ricardo Gutierrez (Argentina).
Segundo Ferraz-de-Souza, já se sabia que o CDKN1C tinha um papel importante na regulação do crescimento celular. Mutações no gene já haviam sido associadas à síndrome de Beckwith-Wiedemann, que causa crescimento anormal de partes do corpo e dos órgãos, exacerbando o risco de surgimento de tumores.
“Agora sabemos que o mesmo gene que causa síndrome de hipercrescimento também é responsável por essa síndrome mais rara de hipocrescimento”, disse.
No entanto, as alterações que foram encontradas na síndrome de Beckwith-Wiedemann estão dispersas por todas as regiões desse gene. Já as mutações que causam a síndrome IMAGe ocorrem em uma região muito limitada, com apenas seis aminoácidos. “Uma simples troca de posição nessa região determina fenótipos completamente diferentes”, disse Ferraz-de-Souza.
Um fator genético tornou a descoberta mais complexa: a expressão do gene CDKN1C é controlada por imprinting, assim, a doença só se manifesta quando é herdada da mãe. A pessoa que tem a mutação herdada do pai não apresenta a doença, embora possa passar a mutação para os filhos.
“O mecanismo pelo qual essa mutação ocorre nos seis aminoácidos que causam a doença ainda permanece desconhecido. Mas é possível que o mecanismo seja válido para estudar, por exemplo, a tumorigênese e outros mecanismos de problemas genéticos que levam ao câncer. As descobertas sobre mecanismos de doenças raras podem ser relevantes quando transportadas para doenças mais prevalentes”, disse Ferraz-de-Souza.
A primeira parte do estudo foi realizada a partir da análise do DNA de uma família da Argentina que tinha pelo menos quatro gerações de indivíduos afetados e não afetados pela síndrome. A partir das amostras dessa família, os cientistas da equipe norte-americana fizeram arrays SNP para delimitar a região cromossômica onde provavelmente estaria o gene promotor da doença e passaram a aplicar técnicas de sequenciamento paralelo.
“Depois de estudar a família argentina, suspeitaram que a causa estava em mutações do gene CDKN1C. Nesses casos, é de praxe procurar outros indivíduos com o mesmo fenótipo, a fim de confirmar que se trata do gene certo”, disse Ferraz-de-Souza.
Na época do estudo, o cientista, que cursava doutorado no University College London, tentava encontrar os genes que causavam uma doença adrenal.
“Na Inglaterra, tínhamos algumas amostras de DNA de pacientes com o fenótipo que o grupo norte-americano estava buscando. Eles entraram em contato conosco e confirmamos que a mutação ocorria sempre nos mesmos seis aminoácidos”, explicou.
Como o aborto é legalizado no Reino Unido, os pesquisadores da equipe britânica tinham acesso a material fetal. “Com isso, foi possível demonstrar, por histoquímica e por PCR quantitativa, que o gene de fato era expresso na glândula adrenal normal durante o desenvolvimento. É possível que o gene CDKN1C seja muito importante para o crescimento normal da adrenal”, disse.
Outras doenças
Na parte final da pesquisa, os cientistas fizeram estudos funcionais a fim de mostrar que a alteração no gene de fato causa modificações no fenótipo.
“Fizemos experimentos com moscas drosófilas. A introdução de mutações nesse gene levou as moscas a apresentarem uma redução drástica no tamanho dos olhos e das asas. Foi confirmado que as alterações naquela exata posição do gene levavam a deficiências de crescimento”, disse Ferraz-de-Souza.
Segundo ele, ainda resta saber por que alterações em um trecho tão pequeno do DNA levam a mutações tão graves. “Esse é um campo bem interessante de pesquisa, pois poderá levar a compreender mecanismos semelhantes que podem estar envolvidos em outras doenças de hipocrescimento”, disse.
De volta ao Brasil, Ferraz-de-Souza realiza estudos sobre defeitos no receptor de vitamina D e doenças esqueléticas, com apoio da FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.
“Embora seja uma linha de pesquisa diferente, é possível que possamos colaborar na continuidade da pesquisa sobre a síndrome IMAGe, já que as alterações esqueléticas fazem parte de suas manifestações”, disse.
IPT testa degradação de sacolas de supermercado
Agência FAPESP – O Centro Tecnológico de Processos e Produtos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) realizou um estudo para comparar a biodegradação de quatro diferentes embalagens vendidas ou dadas em supermercados.
Os testes foram encomendados pela Rede Globo de Televisão. O resultado apresentou a porcentagem que cada material biodegradou: as de papel biodegradaram cerca de 40%; as de plástico comum 30%; as de amido de milho (feita a partir de fontes retornáveis) 15%; e as oxidegradáveis (que recebem aditivos para se degradarem mais rápido) apenas 2%. A margem de erro é de 10%.
De acordo com o IPT, de modo geral, nas condições do teste realizado no Laboratório de Biotecnologia Industrial, nenhuma das amostras analisadas pode ser considerada como de fácil biodegradação, isto é, não serão degradadas rapidamente na natureza.
O IPT destaca, entretanto, que existem diversos fabricantes de sacolas no mercado e o teste foi realizado em apenas uma amostra de cada material. “A conscientização do consumidor em contribuir com a redução dos lixos, coleta seletiva e reciclagem pode ser tão importante quanto os novos materiais no mercado”, disse a pesquisadora Maria Filomena Rodrigues.
Segundo a determinação do “Teste da Biodegradabilidade Imediata pela Medida do Dióxido de Carbono Desprendido em Sistema Aberto”, facilmente biodegradável é todo material cujo conteúdo orgânico se transforma em água e gás carbônico (mínimo 60%) em até 28 dias.
Compostável, por sua vez, é o material que se biodegradou e gerou húmus com ausência de metais pesados e substâncias nocivas ao meio ambiente, que permitem a germinação e o desenvolvimento normal de plantas.
O ensaio realizado no IPT consistiu em submeter os diferentes tipos de embalagens em uma solução mineral para que elas sejam consumidas por microrganismos naturais, retirados da natureza (solo, lago, lodo), simulando com maior intensidade o que pode ocorrer no meio ambiente.
No ensaio, as sacolinhas são a única substância orgânica fonte de “alimento” para as bactérias. A avaliação da biodegradabilidade foi realizada em condições similares, tanto quanto possível, às do ambiente de destinação.
A biodegradação leva à formação de dióxido de carbono (CO2), água e biomassa. A porcentagem de CO2 apresentado pelo material estudado, em relação ao total de CO2 teoricamente esperado para a completa oxidação do conteúdo de carbono da amostra (CO2 – teórico), informará se a sacola é biodegradável ou biorresistente, determinada nessa metodologia por 28 dias.
No Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas foram realizados os ensaios para identificação química das sacolas plásticas. Por meio dessa técnica, foi identificado que as sacolas “oxidegradável” e “convencional” são constituídas de polietileno, um dos tipos de plástico mais comum.
Na sacola de “amido” foi identificada a presença de um constituinte polimérico quimicamente diferente das outras duas citadas, um polímero do tipo poliéster, que inclui produtos químicos presentes nas plantas.
Segundo o IPT, é importante ressaltar que as técnicas empregadas não permitem identificar a presença de possíveis aditivos nas sacolas, como os oxidegradáveis. Ainda, não é possível avaliar origem do material polimérico, se é proveniente de uma fonte renovável ou não.

Nenhuma das amostras analisadas será degradada rapidamente na natureza, apontam testes feitos com quatro tipos diferentes de sacolas vendidas ou distribuídas (IPT)
Ensino de geografia para deficientes visuais

Cartografia tátil, voltada à criação de mapas, globos terrestres e maquetes para o ensino de geografia para pessoas cegas ou com baixa acuidade visual ainda é pouco difundida no Brasil, aponta estudo (divulgação)
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Apesar de já estar muito desenvolvida em termos mundiais, a cartografia tátil – área da cartografia voltada à criação de mapas, globos terrestres e maquetes para o ensino de geografia para deficientes visuais – ainda é pouco difundida em países como o Brasil.
Isso porque as tecnologias existentes no mundo para produzir esses materiais cartográficos, que podem ser lidos por meio do toque por pessoas cegas ou com baixa acuidade visual, ainda são muito sofisticadas e caras, o que impossibilita sua utilização em salas de aula de escolas públicas no país.
Mas, nos últimos anos, pesquisadores de algumas universidades no Brasil e de outros países têm se dedicado ao desenvolvimento de materiais didáticos simples, adaptados para a linguagem cartográfica tátil, que podem ser facilmente utilizados por professores e alunos do ensino fundamental e médio.
As experiências dos principais grupos de pesquisadores do Brasil e do Chile que realizam estudos na área de cartografia tátil são narradas no livro Cartografia tátil: orientação e mobilidade às pessoas com deficiência visual.
A publicação reúne artigos de pesquisadores da Universidade Tecnológica Metropolitana de Santiago do Chile (UTME), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e de outras instituições.
“Apesar de materiais cartográficos táteis serem produzidos desde o início do século 19 em nível mundial por professores, pais e voluntários, essa área ainda é pouco conhecida no Brasil e na América Latina, mesmo no meio acadêmico”, disse Maria Isabel Castreghini de Freitas, professora do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, e uma das organizadoras do livro, à Agência FAPESP.
Por meio de um projeto de pesquisa, realizado com apoio da FAPESP, os pesquisadores da Unesp de Rio Claro desenvolveram nos últimos anos maquetes, mapas e jogos didáticos, adaptados para a linguagem cartográfica tátil.
Os materiais possuem relevo e diferentes texturas, além de sinalizações em braile e recursos sonoros, para facilitar o aprendizado de alunos com deficiência visual.
Já os materiais didáticos para os estudantes com baixa acuidade visual possuem cores fortes e tamanho de letras aumentadas e podem ser utilizados tanto por deficientes visuais como por alunos que não possuem problemas de visão, visando a integração dos estudantes em sala de aula.
“O objetivo é que esses materiais táteis sejam utilizados em atividades e aulas integradas, reunindo estudantes cegos ou com baixa visão com os que enxergam, conforme as diretrizes das atuais políticas de inclusão de alunos com necessidades especiais na educação infantil e no ensino fundamental”, explicou Freitas.
Inicialmente, os materiais são desenvolvidos em laboratório, com base no conteúdo dos cursos de geografia nos diferentes níveis do ensino. Depois são levados para escolas com alunos cegos ou com deficiência visual, para serem testados e aprimorados com ajuda dos próprios estudantes e dos professores.
Noção de espaço
Aos professores são oferecidos cursos de formação, em que eles aprendem a utilizar o programa de computador Mapavox, que possibilita incluir dispositivos sonoros em maquetes e mapas.
O software foi desenvolvido pelos pesquisadores da Unesp em parceria com José Antonio dos Santos Borges – pesquisador do Núcleo de Computação Eletrônica (NEC) da UFRJ, que criou o primeiro sistema para auxiliar pessoas cegas a usarem computador, o Dosvox.
“Quando desenvolvemos os materiais, percebemos que eles eram um pouco limitados em termos de possibilidade de exploração pelos alunos cegos ou com baixa acuidade visual e que, se além das diferentes texturas eles possuíssem som, seria possível aumentar a interação dos estudantes com os materiais. Por isso, procuramos o professor Borges e propusemos que ele desenvolvesse um sistema de materiais didáticos com recursos sonoros”, contou Freitas.
Por meio de comandos específicos, o sistema computacional permite acionar sons em uma maquete, mapa ou um jogo didático conectado a um computador, facilitando a orientação de um estudante cego na exploração do material didático que, até então, só ocorria pelo tato, ampliando suas possibilidades de percepção e sua compreensão do espaço.
Ao percorrer uma maquete de uma praça central de uma cidade, por exemplo, o estudante pode tocar botões que emitem sons do sino de uma igreja, do barulho de uma fonte de água e da música tocada pela banda de um coreto.
“São mensagens e sons curtos que têm algum significado para estudantes cegos. Nosso maior desafio neste trabalho é entender como eles adquirem a noção de espaço, que é fundamental no ensino de geografia”, disse Freitas.
“Para isso, começamos utilizando maquetes da sala de aula, da casa e do caminho que percorrem para vir à escola de modo a entender como concebem o espaço e o ambiente ao seu redor”, disse.
Ipen prepara reator para operar em potência máxima
Agência FAPESP – O reator de pesquisas IEA-R1 do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) operou durante o mês de abril em sua potência máxima, a 5 megawatt.
De acordo com o Ipen, a ampliação da potência do reator possibilitará aumentar o fluxo de nêutrons nas posições de irradiação de amostras, onde são produzidos radioisótopos – utilizados para produção de radiofármacos para diagnóstico nas áreas de oncologia, cardiologia e neurologia, além de na agricultura, indústria e pesquisa. Além disso, permitirá a proposição de novos projetos.
Nos últimos anos foram realizadas modernizações em equipamentos e infraestrutura e o reator vem aumentando gradativamente sua potência.
Em 2011, o reator operou a 4 megawatt no primeiro semestre e a 4,5 megawatt no segundo semestre. A previsão é de que até o fim de 2012 o reator passe a operar continuamente à potência máxima de 5 megawatt.
Segundo o Ipen, a operação do reator à potência máxima em abril permitiu que aspectos de segurança, produção e pesquisa fossem reavaliados.

Ampliação da potência do equipamento possibilitará aumentar produção de radiofármacos e de projetos de pesquisa (Ipen)
Cientistas criam proteína capaz de desativar vírus da gripe, diz estudo
Do G1, em São Paulo
Tecnologia usou sequenciamento de DNA para modificar ação de genes. Proteína teria ‘desligado’ ação dos vírus da gripe suína e aviária.
Um grupo de cientistas da Universidade Michigan, nos Estados Unidos, criou uma proteína capaz de combater o vírus da gripe. O estudo foi divulgado nessa semana na revista científica “Nature Biotechnology”.
O grupo liderado por Tim Whitehead, professor de engenharia química da Universidade Michigan, usou um programa de computador que ajudou a cruzar dados a partir da separação das proteínas de diferentes tipos de vírus da gripe e o sequenciamento do DNA deles.
Em seguida, potencializaram o poder dessas proteínas, criando um protótipo que atacasse os vírus mais perigosos.
“Nosso modelo provou eficácia em lugares vulneráveis a epidemia, incluindo o vírus H1N1 (gripe suína), H5N1 (gripe aviária) e seus subtipos”, disse Whitehead.
Com isso, mantiveram as mutações benéficas e modificaram as que causam a doença.
“Nosso trabalho demonstra uma nova abordagem na criação de proteínas terapêuticas, que esperamos que venha a estimular o desenvolvimento de drogas feitas de novas proteínas pela indústria biofarmacêutica”, diz Whitehead.



