Caranguejo no fundo do mar usa visão ultravioleta para comer

11/09/2012 at 1:16 PM Deixe um comentário

Do Globo Natureza, em São Paulo

Espécie vive a cerca de 800 metros de profundidade, onde não há luz. Capacidade de enxergar no escuro permite distinguir alimento de veneno.

 

Uma espécie de caranguejo que vive no fundo do mar, a cerca de 800 metros de profundidade, tem um complexo sistema de visão que o permite enxergar em luz azul e ultravioleta. Essa sensibilidade às cores possibilita que o animal consiga se alimentar em uma região completamente escura, aponta um novo estudo publicado este mês na revista “Journal of Experimental Biology”.

Segundo cientistas da Universidade Nova Southeastern, na Flórida, EUA, a visão ultravioleta permite detectar objetos em um comprimento de onda menor, o que faz com que os bichos realmente peguem comida, e não veneno.

O plâncton que esses caranguejos comem, por exemplo, tem um brilho azul, enquanto corais tóxicos onde eles se sentam apresentam uma bioluminescência verde.

Caranguejo das profundezas enxerga em luz ultravioleta (Foto: Nova Southeastern University/Divulgação)

Para a bióloga Tamara Frank, que liderou o estudo em três locais das Bahamas, no Caribe, descobertas como essa podem levar a inovações úteis anos mais tarde, a exemplo de um telescópio de raio-X que já se baseou nos olhos de uma lagosta.

A pesquisadora explica que trabalhos anteriores já haviam descoberto animais das profundezas que veem em luz ultravioleta, mas essa é a primeira vez que se testa como eles respondem à luz.

Além de fazer vídeos e fotos dos caranguejos, os cientistas capturaram e examinaram com microeletrodos os olhos de oito indivíduos encontrados nesses três lugares do Caribe e em expedições anteriores.

Para testar a hipótese de que a luz ultravioleta realmente funciona como um “código de barras” para os crustáceos saberem o que é comida e o que não é, os pesquisadores precisam coletar mais espécimes e testar a sensibilidade deles a comprimentos de onda ainda mais curtos.

Outro desafio é saber se a forma como os animais estão agindo no vídeo é natural, já que os submarinos, redes e veículos usados na pesquisa acabam perturbando os bichos. De acordo com o biólogo Sönke Johnsen, o estudo é uma espécie de investigação biológica “forense”, pois observa os animais e o ambiente para depois tentar juntar os pedaços e reconstruir o que realmente aconteceu.

Anúncios

Entry filed under: Sem categoria.

‘Balão gigante’ de magma cresce sob ilha paradisíaca grega, revela estudo Análise genética de câncer no pulmão pode levar a tratamentos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Paideia

Seu encontro semanal com a cultura científica. Todas às 3ª feiras, às 18h, na Rádio UFSCar 95,3FM para São Carlos - SP ou www.radio.ufscar.br para o mundo!

Podcasting

Faça o download do podcasting do Paideia

Edições anteriores


%d blogueiros gostam disto: