Liderança hereditária

20/04/2012 at 12:47 PM Deixe um comentário

Uol – por Ferris Jabr

É possível prever o status social de um macaco observando seus genes?

 

Thomas Schoch, Wikimedia Commons

Macacos rhesus, entre os mais estudados de todos os primatas, estabelecem hierarquias em seus grupos sociais. Sempre que dois macacos disputam comida, por exemplo, ou o direito de se acasalar, o macaco de posição mais elevadgeralmente ganha. Primatólogos estabeleceram que macacos menos influentes costumam ser mais estressados que seus pares dominantes – os menos poderosos têm níveis mais altos de hormônios do estresse, por exemplo. E as diferenças em atividade genética: uma mudança de posição social alteraria a expressão genética? Sim, conclui um novo estudo que utilizou diferenças na expressão de genes para identificar a posição social de um macaco com cerca de 80% de precisão.

Jenny Tung, da Duke University, e seus colegas da University of Chicago (onde ela trabalhava na época do estudo), bem como vários colaboradores do Yerkes National Primate Research Center, estudaram 10 grupos de macacos rhesus, cada um com cinco fêmeas adultas. Os pesquisadores formaram os grupos incluindo uma fêmea por vez, permitindo uma construção cuidadosa da hierarquia social: as fêmeas introduzidas antes geralmente assumiam posição mais elevada. Assim, os cientistas sabiam exatamente as posições ocupadas por cada fêmea do grupo.

Jenny e seus colegas coletaram amostras de sangue dos primatas, isolaram os leucócitos e analisaram o DNA daquelas células. Descobriram 987 genes cuja atividade dependia da posição social: 535 genes que tinham maior expressão em indivíduos de alta posição e 452 com maior atividade em indivíduos de pouco status. Muitos genes estavam relacionados com o sistema imune – em especial, os genes ligados à inflamação eram mais ativos em indivíduos de pouca influência. Outros testes revelaram que os macacos de baixa posição social tinham ainda menos células T citotóxicas, um tipo de leucócito que ataca células infectadas e cancerosas. Pesquisa anterior sugere que o estresse da baixa categoria social compromete o sistema imune, o que corrobora a hipótese sobre as células T, mas pode ainda levar o sistema imune a responder desnecessariamente, o que reforça a hipótese sobre inflamação. As descobertas relacionadas ao estresse, ao status social e ao sistema imune não são claras. Outros estudos apontam, por exemplo, que uma posição mais elevada estressa mais.

Jenny escolheu dez perfis genéticos de forma aleatória e tentou prever a posição social do animal apenas com base na atividade do gene, obtendo sucesso em oito casos. Em outro teste, ela mostrou que a expressão do gene identificou corretamente o status social de seis entre sete primatas após eles mudarem de posição. O novo estudo aparece na edição de 9 de abril da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A pesquisadora afirma que esta é a primeira vez em que ela foi capaz de prever a posição social observando apenas a expressão do gene. “Temos muitos biomarcadores de estresse”, explica ela, “mas eles em si não conseguem prever bem. Com os estudos completos de genoma, conseguimos observar milhares de biomarcadores ao mesmo tempo.”

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