Armadura para o feto

20/04/2012 at 12:41 PM Deixe um comentário

Uol – por Claudia Kalb

A placenta faz mais que alimentar o bebê dentro do útero. Ela atua dinamicamente, moldando o desenvolvimento cerebral.

 

Ainda que transitória, a placenta é um órgão único e crítico para a vida humana. Em sua curta existência, atua como uma barreira protetora vital para o feto. Seus vasos sanguíneos – semelhantes a raízes de árvores – também transportam oxigênio e nutrientes essenciais da mãe para o bebê em desenvolvimento. Ainda assim, a placenta tem sido desvalorizada. Uma análise mais cuidadosa de cientistas mostrou que o órgão representa muito mais que um simples invólucro: ele protege o feto efetivamente e molda seu desenvolvimento neurológico.

Em um estudo publicado em agosto passado, pesquisadores britânicos mostraram que quando uma fêmea de camundongo que está esperando filhote é privada de alimento, a placenta assume o comando, destruindo seu próprio tecido para alimentar” o cérebro do feto. Cientistas do Instituto Neurogenético Zilkha da University of Southern Califórnia (ZNI, na sigla em inglês) e seus colegas derrubaram décadas de dogma biológico ao relatar que é a placenta – e não exatamente a mãe – que fornece o hormônio serotonina ao prosencéfalo do feto no início do desenvolvimento. Como hormônios desempenham papel essencial nas conexões cerebrais, anormalidades placentárias podem influenciar diretamente o risco de o feto desenvolver depressão, ansiedade e até autismo – antes mesmo de os neurotransmissores começarem a funcionar. Por isso, segundo Pat Levitt, diretor do ZNI e coautor do estudo, é preciso estar muito atento à saúde e aos cuidados da placenta.

Pesquisas sobre a influência desse órgão no desenvolvimento cerebral são tão recentes que ainda não foram batizadas. Anna Penn, neonatóloga e neurobióloga do desenvolvimento da Stanford University, denominou os estudos de neuroplacentologia”. A própria Anna está estudando o impacto dos hormônios placentários no desenvolvimento do cérebro depois da 20ª semana de gestação. Seu objetivo é identificar com que idade bebês prematuros são afetados pela perda desses hormônios e, ainda, descobrir uma forma de compensar esse déficit. A neurocientista acredita que antigas ideias sobre a placenta estão mudando, mas que ainda há muito a aprender.

Anúncios

Entry filed under: Sem categoria.

Pesquisadores descobrem curioso dinossauro com corcova Liderança hereditária

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Paideia

Seu encontro semanal com a cultura científica. Todas às 3ª feiras, às 18h, na Rádio UFSCar 95,3FM para São Carlos - SP ou www.radio.ufscar.br para o mundo!

@programapaideia

@clickciencia

Podcasting

Faça o download do podcasting do Paideia

Edições anteriores


%d blogueiros gostam disto: