Novo site com imagens, vídeos e informações sobre a biodiversidade marinha

06/10/2011 at 7:01 PM Deixe um comentário

Divulgar é preciso

Fapesp

 

Já ouviu falar em Cifonauta? Qualquer que seja a resposta, a palavra cômica para algumas pessoas e familiar para outras agora traz reforços à divulgação científica feita no Brasil. Os biólogos Alvaro Esteves Migotto e Bruno Vellutini, ambos do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP), lançam nesta semana um site com esse nome. O endereço é um banco de imagens com mais de dez mil fotos da biodiversidade marinha e informações sobre cada animal, planta ou protozoário retratado. A palavra cifonauta foi escolhida por representar uma microscópica marinheira, fazendo uma alusão à navegação on-lineCifonauta é um tipo de larva de briozoários, invertebrados marinhos coloniais, que navega por semanas até se fixar em uma rocha ou uma alga. Depois de estabelecida, a viajante funda uma colônia inteira composta por zoóides que capturam o alimento com sua coroa de tentáculos.

O banco é uma biblioteca on-line de material multimídia para quem deseja conhecer o ambiente marinho. Ele tem imagens e informações – local onde o organismo foi encontrado, em qual ambiente vive, o estágio e o modo de vida – de 272 espécies com dados sobre sua classificação taxonômica. Também contém mais de 250 vídeos, histórias relacionadas ao ambiente marinho e referências bibliográficas. “Queremos disponibilizar uma plataforma de navegação fácil, informativa e rápida que possa servir de base para a divulgação científica em biologia marinha”, explica Vellutini.

O site disponibiliza imagens microscópicas – como a da larva cifonauta – ou macroscópicas, como as de camarões e outros organismos marinhos. Cada espécie pode estar representada em mais de uma imagem com diferente ângulo ou em diversos estágios de vida. “O objetivo de tantas fotografias de um único organismo é ampliar o olhar sobre a espécie”, conta Vellutini. O conteúdo está sob licença de uso flexível (Creative Commons) que permite o reuso sem autorização desde que a fonte seja citada e não empregado comercialmente. “Com isso pretendemos incentivar o compartilhamento e mescla desses materiais em aulas, em atividades educativas, em mashups digitais (combinação de conteúdos), em filmes, etc”, diz o pesquisador.

Outro ponto do site são os tours temáticos – uma seleção de fotos agrupadas por um tópico. Cada tema tem um texto explicativo para o interessado conhecer um aspecto da vida marinha com informações detalhadas. Por exemplo, para ter uma ideia do tamanho da diversidade de larvas, o tour com esse tema disponibiliza mais de 40 imagens, particularidades sobre esses organismos e até uma curiosidade sobre termo: “Larva vem da palavra lārva em latim, que significa ‘espírito maligno, demônio, diabo’”.

Todo o material procede da documentação fotográfica, algo comum em estudos científicos, que geralmente ficava restrita aos pesquisadores. Isso porque a maior parte desses dados é utilizada apenas em atividades didáticas realizadas por professores, divulgada em publicações científicas especializadas ou estampada em folhetos e outros materiais de divulgação no meio acadêmico. “Milhares de fotos com ótimo potencial à divulgação científica nunca são publicadas. Cifonautafoi concebido com o intuito, também, de aproveitar esse material”, diz o pesquisador. Para os interessados nas pesquisas, todas as imagens e vídeos publicados estão associados às respectivas referências bibliográficas.

O banco de dados deve aumentar com o passar do tempo. Migotto e Vellutini examinam constantemente informações e imagens coletadas pela equipe do CEBIMar para colocar no ar. Assim, por enquanto, a maior parte das informações, imagens e vídeos é proveniente de trabalhos realizados por pesquisadores relacionados ao CEBIMar, mas a idéia é ampliar o número de colaboradores. “Queremos que qualquer pesquisador interessado submeta suas imagens, mas ainda não temos estrutura para isso. Teríamos que contar com mais especialistas para revisar essas informações”, diz Vellutini. O projeto nasceu de um edital de apoio à divulgação científica lançado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 2008.

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