Planeta escuro

12/08/2011 at 5:34 PM Deixe um comentário

Planeta extrassolar negro é o mais escuro conhecido

O Globo

Astrônomos revelaram o que é o mais escuro planeta extrassolar conhecido. Orbitando sua estrela a cerca de 5 milhões de quilômetros de distância, o gigante gasoso TrES-2b reflete menos de 1% da luz recebida dela, o que faz com que seja mais negro que o carvão.

– O TrES-2b é consideravelmente menos reflexivo do que tinta acrílica preta, então é realmente um mundo alienígena – comenta o astrônomo David Kipping, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e principal autor de artigo sobre a descoberta, aceito para publicação pela Royal Astronomical Society.

Em nosso Sistema Solar, Júpiter está coberto de brilhantes nuvens de amônia que refletem mais de um terço da luz que alcança o planeta, a cerca de 780 milhões de quilômetros do Sol. Já o TrES-2b, de tamanho equivalente a Júpiter, não tem essas nuvens reflexivas devido a sua proximidade da estrela, que faz com que sua temperatura passe dos 1 mil graus Celsius. Ao invés disso, sua exótica atmosfera é composta de elementos absorventes de luz como sódio e potássio vaporizados e gases de óxido de titânio. Mas nem isso explica por que ele é tão escuro.

– Não está claro o que faz deste planeta tão extraordinariamente escuro – diz os astrônomo David Spiegel, da Universidade de Princeton e co-autor do artigo. – Mas ele também não é completamente preto. O planeta é tão quente que emite um leve brilho avermelhado, como uma brasa ou a resistência de um fogão elétrico.

Kipping e Spiegel determinaram a refletividade do TrES-2b usando dados o observatório espacial Kepler, da Nasa. O Kepler procura por planetas extrassolares medindo as ínfimas reduções que eles causam no brilho de suas estrelas em seus trânsitos, isto é, quando passam entre elas e a Terra. Os astrônomos monitoraram o brilho do sistema TrES-2 por mais de 50 órbitas e detectaram sutis variações na luminosidade devido a mudanças de fases do planeta. Eles acreditam que o TrES-2b está sob o que é conhecido como acoplamento de maré, que faz com que um lado do planeta esteja sempre voltado para a estrela, assim como acontece com a Lua em relação à Terra, fazendo com que o brilho do sistema estrela+planeta varie.

– Ao combinar a impressionante precisão do Kepler nas mais de 50 órbitas observadas, determinamos a menor mudança já vista no brilho causada por um planeta extrassolar, de apenas seis partes por milhão – conta Kipping.

Essa variação ínfima é a prova de que o TrES-2b é extremamente escuro, já que um planeta mais refletivo provocaria flutuações maiores ao mudar de fase. O TrES-2b orbita a estrela GSC 03549-02811, localizada a cerca de 750 anos-luz da Terra na direção da constelação do Dragão, e foi detectado pela primeira vez em 2006 pelo projeto Trans-Atlantic Exoplanet Survey (TrES).

 

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