Estação científica brasileira na Antártida

27/07/2011 at 7:26 PM Deixe um comentário

Pela primeira vez, Brasil terá estação científica no interior da Antártida

Estadão

O Brasil deve iniciar em dezembro a instalação do seu primeiro módulo científico no interior do continente antártico. A unidade conterá sensores que enviarão, via satélite, dados meteorológicos e ambientais ao País. Será a primeira estação brasileira dentro do continente gelado. A Estação Comandante Ferraz, criada em 1984, fica na chamada Antártida Marítima, na Ilha Rei George, a 130 quilômetros do continente.

O coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, Jefferson Simões, afirma que o módulo ficará a 84° de latitude sul, a cerca de 500 quilômetros do Pólo Sul geográfico. Comandante Ferraz está a 62° de latitude sul.

A nova estação recolherá informações sobre temperatura, ventos, radiação solar e umidade. Também medirá os níveis de material particulado e gás carbônico que chegam ao continente.

Os cientistas brasileiros vão aproveitar a viagem para realizar uma exploração glaciológica: levarão uma sonda para perfurar 100 metros na camada de gelo. “Poderemos analisar a história climática dos últimos 500 anos”, explica Simões, primeiro glaciólogo brasileiro e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O módulo já tem nome: Criosfera 1. “Há muitas estações na costa da Antártida, mas no interior são poucas”, afirma o pesquisador. “As condições são bem mais difíceis.” Em Comandante Ferraz, a temperatura média gira em torno de -2,8°C. Criosfera 1 será instalada na região dos Montes Thiel, onde os termômetros costumam marcar -35°C.

Depois de instalada, a estação deverá receber visitas anuais de manutenção, normalmente perto do Natal, durante o verão antártico. Simões explica que, por enquanto, o custo torna inviável manter uma base habitada dentro do continente. Mas prevê que o módulo é o primeiro passo do País rumo ao manto de gelo oriental da Antártida, onde o ambiente é ainda mais hostil. Na base russa de Vostok, por exemplo, a temperatura já atingiu -89,3°C.

Simões sublinha que o objetivo da iniciativa não é substituir as pesquisas que são realizadas em Comandante Ferraz. “A estação atual é muito importante, principalmente nas áreas relacionadas às biociências”, explica o glaciólogo. “Há muito trabalho para os biólogos na costa, no Mar Austral. Já o interior da Antártida é um grande deserto.”

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