Tempestade em Saturno

11/07/2011 at 5:37 PM Deixe um comentário

Sonda Cassini registra imagens e sons de tempestade gigante em Saturno

Globo

 

A sonda Cassini, da Nasa, registrou pela primeira vez em detalhes imagens e sons de uma tempestade gigantesca que sacode o Hemisfério Norte de Saturno desde o fim do ano passado. O sistema climático é o maior já observado pela nave, que estuda o planeta desde 2004, e cobre uma área de 4 bilhões de quilômetros quadrados, o equivalente a oito vezes a superfície da Terra.

A tempestade foi detectada pela Cassini em 5 de dezembro de 2010 e monitorada até fevereiro. Os instrumentos da nave mostraram que a taxa de relâmpagos nela era 10 vezes superior às observadas desde 2004. No seus momentos de maior intensidade, a esta tempestade gerou mais de 10 raios por segundo. Mesmo com uma capacidade de resolução de milissegundos, os equipamentos de detecção de ondas de rádio e plasma da Cassini tiveram dificuldades em separar os sinais individuais deles. Os cientistas, porém, geraram um arquivo de áudio com os dados coletados em um período de menor atividade.

– A Cassini nos mostrou que Saturno é bipolar – conta Andrew Ingersoll, um dos autores do estudo, publicado na edição desta semana da revista “Nature” e integrante da equipe de cientistas da missão no Instituto de Tecnologia da Califórnia. – Saturno não é como a Terra ou Júpiter, onde as tempestades são razoavelmente frequentes. O clima em Saturno parece meditar placidamente durante anos e então explodir violentamente. Estou excitado em ver um clima tão espetacular justamente durante a nossa vigília.

A Cassini registrou 10 tempestades de raios em Saturno desde que começou a orbitá-lo e o Hemisfério Sul do planeta passava pelo auge do seu verão, sendo iluminado totalmente pelo Sol e sem a sombra dos anéis. Essas tempestades corriam por uma parte do Sul de Saturno que foi apelidada de “Alameda dos temporais”. Mas a iluminação dos hemisférios mudou em agosto de 2009, quando começou a primavera no Hemisfério Norte.

– Essa tempestade é fascinante porque mostra como as mudanças de estação e iluminação solar podem perturbar dramaticamente o clima em Saturno – diz Georg Fischer, principal autor do artigo na “Nature” e pesquisador de ondas de rádio e plasma da missão Cassini na Academia Austríaca de Ciências, em Graz. – Estivemos observando tempestades em Saturno por quase sete anos, então monitorar uma tempestade tão diferente das demais colocou-nos na ponta dos pés.

As observações são resultado das primeiras atividades de uma campanha intitulada “Alerta de tempestades de Saturno”. Durante esse esforço, a sonda volta seu foco para áreas do planeta mais sujeitas ao aparecimento dos sistemas no período entre outras observações programadas. No mesmo dia em que os instrumentos da Cassini detectaram os sinais dos primeiros raios, as câmeras da nave estavam apontadas justamente para o local onde ela estava se formando e capturaram a imagem de uma pequena e brilhante nuvem. Como a análise da imagem não pôde ser completada imediatamente, Fischer buscou auxílio da comunidade internacional de astrônomos amadores, que enviaram uma enxurrada de outras observações. Essas imagens complementares permitiram aos pesquisadores monitorar a rápida evolução do sistema climático, que deu a volta no planeta antes do fim de janeiro deste ano.

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