Última missão

05/07/2011 at 1:35 PM Deixe um comentário

Missão do Atlantis, na próxima sexta-feira, será a última do programa de ônibus espaciais da Nasa

O Globo

Christopher, Douglas, Rex e Sandra, o quarteto de astronautas, a partir de sexta-feira, estará à frente do último voo do Atlantis, único veículo ainda não aposentado pela Nasa. O que vier após a missão, que se encerra em 12 dias, é uma incógnita. A agência americana ainda não tem um cronograma claro sobre como vai se fazer presente no espaço. Seus astronautas, a partir de então, dependerão de carona até a Estação Espacial Internacional em naves russas. Também é possível – e até desejável, com os cortes orçamentários impostos pela Casa Branca – que a construção de naves pelos EUA tenha uma participação cada vez maior da iniciativa privada.

Desde a explosão do Columbia, em 2003, tornou-se um consenso no governo americano de que a Nasa clamava por grandes mudanças. Menos de um ano depois, o então presidente George W. Bush apresentou seu plano, “Visão para a Exploração do Espaço”. O documento já previa a aposentadoria dos quatro ônibus restantes e um foco maior sobre o Sistema Solar, incluindo uma nova ida à Lua. Mas o programa Constellation, como foi batizado, não resistiu à crise.

Sob a batuta de Barack Obama, o programa espacial tornou-se ainda mais reticente. Oficialmente, os ônibus serão substituídos pelo Veículo Multipropósito para Tripulação Orion, dez vezes mais seguro do que os ônibus. A estrutura, porém, estará disponível para testes somente em 2016. O orçamento para construção é curto e seu destino tampouco foi escolhido. Os EUA têm pela frente, portanto, pelo menos cinco anos alugando assentos para seus astronautas nas cápsulas russas Soyuz.

Planos reticentes e fuga de cérebros

Para reforçar o caixa, a Nasa aposta na criação de uma indústria aeroespacial de mãos dadas com a iniciativa privada.

– Estamos tentando ajudar nosso pessoal a permanecer na indústria aeroespacial, se não na própria Nasa – ressalta Charles F. Bolden, administrador da agência. – Não estamos à deriva nem perdemos a nossa visão. Temos um plano.

Um milhão de pessoas assistirão ao lançamento do Atlantis, às 11h26m (12h26m no Brasil) de sexta-feira. Depois, estima-se, milhares de funcionários da Nasa podem perder seus empregos em campos de treinamento e manutenção dos ônibus espaciais. A evasão nos laboratórios também foi detectada por especialistas.

Custo elevado inviabilizou missões

Cinco ônibus espaciais construídos pela Nasa foram projetados para realizar 100 missões cada. A viagem do Atlantis, porém, será apenas a 135 da era dos ônibus espaciais. Além das tragédias, o custo elevado dos lançamentos antecipou a aposentadoria desses veículos.

Quando a construção das estruturas foi aprovada, em 1971, estimava-se que os voos consumiriam, cada um, US$ 7 milhões. Hoje, no entanto, uma operação com os ônibus despende US$ 1 bilhão. As três décadas de exploração com os veículos espaciais já levou US$ 200 bilhões dos cofres americanos. As viagens para fora do planeta, idealizadas para ocorrerem semanalmente, escassearam. Repetiram-se, na verdade, uma vez a cada dez semanas.

Para analistas, a Nasa iria mais longe se investisse em veículos lançadores descartáveis e tripulados. Uma viagem nesses moldes custaria, no máximo, US$ 150 milhões. Ainda de acordo com especialistas, se a Nasa concentrasse seus investimentos em tipos de foguetes Saturno, que levaram os astronautas da missão Apolo para a Lua, talvez hoje já contaríamos com voos para Marte.

E, talvez o argumento mais condenatório de todos, os lançamentos deveriam atingir, de uma vez só, objetivos comerciais, científicos e militares. Cada um poderia ser cumprido mais efetivamente – e com menores custos – se merecessem missões exclusivas.

Mas os veículos também foram vítima de seu próprio sucesso, ao tornar as operações espaciais tão rotineiras (mesmo que não semanais). As missões passaram a ser notadas pelo grande público apenas quando ocorre algo errado. Nos EUA, as catástrofes do Challenger e do Columbia causaram comoção comparável à morte de celebridades como a Princesa Diana e o presidente John Kennedy. E agora os ônibus serão substituídos. Pelo quê, ainda não se sabe.

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