O segredo dos seus olhos

11/03/2011 at 1:19 PM Deixe um comentário

“Olhos” de criatura marinha condizem com teoria da evolução

Folha/New York Times

Charles Darwin considerava a evolução do olho humano como um dos maiores problemas que sua teoria tinha de explicar. Em “A Origem das Espécies”, ele escreve que a ideia de que a seleção natural pudesse produzir um órgão tão complexo parecia absurda.

Porém, Darwin dispersou esse aparente absurdo definindo uma série de passos pelos quais a evolução poderia ter ocorrido. Para tornar essa sequência bastante plausível, havia o fato de que algumas das formas de transição descritas por ele realmente existiam em invertebrados vivos.

Agora, uma equipe de pesquisadores americanos e europeus relata ter descoberto um olho que poderia representar o primeiro passo dessa evolução. Eles encontraram um globo ocular nadador.

“Este não é o ancestral do olho humano, mas é a primeira vez que tivemos um modelo dele”, diz o pesquisador de pós-doutorado na Universidade do Havaí Yale Passamaneck que, junto com seus colegas, relatam a novidade na revista online EvoDevo.

Os pesquisadores realizaram a descoberta enquanto estudavam uma espécie de braquiópodes, que vivem em conchas, mas são, na verdade, criaturas marinhas sem parentesco com os moluscos e que se assemelham a vermes. Os braquiópodes existem há mais de 500 milhões de anos, mas sua biologia sempre foi um mistério –não se sabe se podem ou não enxergar.

As larvas de braquiópodes com quatro dias exibem estranhas manchas negras em cada lado da parte frontal de seus corpos, que foram dissecadas por Carsten Luter, biólogo do Museu de História Natural de Berlim, e colegas. O grupo descobriu que cada uma dessas manchas era um par de neurônios –um para capturar luz e outro contendo pigmento. E estes, por sua vez, eram ligados a uma massa de mais neurônios, similar a um cérebro, dentro das larvas.

A anatomia sugere que as manchas eram olhos simples e Luter e Passamaneck, junto com os pesquisadores havaianos, descobriram que realmente havia genes fotorreceptores ativos nas manchas negras.

Para ser completo, Passamaneck verificou se os genes fotorreceptores ficavam ativos em outros estágios, mas aconteceu exatamente o oposto.

Passamaneck descobriu que os genes já estavam ativos bem antes, apenas 36 horas depois da fertilização, quando o embrião do braquiópode era meramente uma massa com algumas centenas de células.

O pesquisador ficou desconcertado porque, explica, “não existem neurônios nesse estágio”. Mesmo assim, ficou claro que a superfície externa daquela massa estava coberta por fotorreceptores.

TESTE

Para ver se os embriões estavam usando a luz de alguma forma, Passamaneck projetou um foco de luminosidade em cada lado de uma lâmina com embriões. O embrião do braquiópode é coberto por minúsculos pelos pulsantes, que ele usa para nadar num padrão em espiral. Passamaneck descobriu que, após 20 minutos, o dobro de embriões havia passado para o lado iluminado da lâmina.

Passamaneck e seus colegas sugeriram que as células conseguem detectar a direção da luz e usar essa informação para mudar o ritmo de seus pelos.

É possível, segundo Passamaneck, que no curso da evolução, nossos próprios olhos tenham surgido como globos oculares nadadores. Somente mais tarde a função de capturar a luz foi relegada a apenas algumas células, que conseguiam enviar sinais a suas vizinhas. E somente muito tempo depois essas células especialistas começaram a transmitir sinais ao cérebro.

Especialista na evolução da visão da Universidade da Califórnia, Todd Oakley classificou os resultados como “estimulantes”. Mas avisa que, só porque o gene fotorreceptor estava ativo no embrião inicial, isso não significa necessariamente que os braquiópodes conseguem ver. “Outros possíveis mecanismos fotorreceptivos também devem ser estudados e descartados. Uma correlação não implica causalidade.”

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Galáxia jovem pode implicar revisão sobre início do Universo

Folha / EFE

Um grupo de astrofísicos descobriu grupos de galáxias distantes que parecem “jovens”, apesar de serem “maduras”, o que pode obrigar uma revisão das teorias do início do Universo. O estudo foi divulgado pela American Association for the Advancement of Sciences (AAAS, na sigla em inglês) na quarta-feira.

“Medimos a distância até os grupos de galáxias mais distantes jamais encontrados”, comentou Raphael Gobat, que liderou a pesquisa do ESO (Observatório Europeu do Sul).

“O surpreendente é que muitas delas não se parecem às usuais galáxias com estrelas em formação observadas no princípio do Universo”, explicou Gobat.

Os astrofísicos realizaram as medições a partir nos centros de observação espacial do Observatório de La Silla, no Chile, e do telescópio Subaru, no Havaí.

Os conjuntos de galáxias, que se reúnem por meio da gravidade ao longo do tempo, em teoria não existiriam durante a primeira formação do cosmos.

No entanto, os resultados mostraram que as estruturas localizadas estão do mesmo modo como eram quando o Universo tinha apenas 3 bilhões de anos, ou seja, menos de um quarto de sua idade atual.

Estes conjuntos de galáxias não são compostos por estrelas em formação, como se supunha, mas por estrelas de mais de um bilhão de anos unidas por uma nuvem de gás quente.

Diante disso, a conclusão da equipe de astrofísicos é de que os conjuntos de galáxias já existiam quando o Universo era muito mais novo.

“Se futuras observações encontrarem muitas mais, nosso entendimento dos primeiros períodos do Universo deverá ser revisto”, afirmou Gobat.

Cientista do dia:

Carlos Chagas

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